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Mais uma vez um assunto toma conta dos jornais, telejornais, rádios, rodas de discussão de trabalho a cerca de uma tragédia humana. Uma chacina no RJ com desencarne de várias e indefesas crianças na sua mais tenra idade.
Nessas horas, muitos de nós consideram abusiva a exploração midiática de tragédias como essa, onde as grandes redes de comunicação aumentam suas cotas de audiência, usando como argumento a defesa de interesses sociais e informação em tempo real.

 
Ainda que não façamos parte desse universo de consumidores de ‘tragédias em horário nobre’, é impossível ficarmos imunes, afinal vivemos nessa sociedade. Fazemos parte dela e interagimos o tempo todo. 
Nossos inspiradores irmãos do plano superior nos ensinam que a maior contribuição que podemos dar àquelas famílias, também vítimas da tragédia, assim como aos pequenos desencarnados é a prece. Essa é manifestação mais nobre que um cristão pode exercer num momento como esse. 
Sobretudo nós espíritas, num entendimento das leis naturais sabemos que aqueles pequenos, indefesos e aparentemente inocentes estão devidamente amparados, já no plano espiritual. Retornam para sua verdadeira pátria, de onde vieram para uma breve passagem pela Terra.
Separamos o texto a seguir como um belo exemplo que não irá tirar a dor daqueles que perde um ente querido, mas que devolve uma ponta de esperança ao entendermos os mecanismos da vida.
Jóias Devolvidas
Narra antiga lenda árabe, que um rabi, religioso dedicado, vivia muito feliz com sua família. Esposa admirável e dois filhos queridos. 
Certa vez, por imperativos da religião, o rabi empreendeu longa viagem ausentando-se do lar por vários dias. 
No período em que estava ausente, um grave acidente provocou a morte dos dois filhos amados. 
A mãezinha sentiu o coração dilacerado de dor. No entanto, por ser uma mulher forte, sustentada pela fé e pela confiança em Deus, suportou o choque com bravura. Todavia, uma preocupação lhe vinha à mente: como dar ao esposo a triste notícia? Sabendo-o portador de insuficiência cardíaca, temia que não suportasse tamanha comoção. Lembrou-se de fazer uma prece. Rogou a Deus auxílio para resolver a difícil questão.
Alguns dias depois, num final de tarde, o rabi retornou ao lar. Abraçou longamente a esposa e perguntou pelos filhos… Ela pediu para que não se preocupasse. Que tomasse o seu banho, e logo depois ela lhe falaria dos moços. 
Alguns minutos depois estavam ambos sentados à mesa. A esposa lhe perguntou sobre a viagem, e logo ele perguntou novamente pelos filhos. 
Ela, numa atitude um tanto embaraçada, respondeu ao marido: Deixe os filhos. Primeiro quero que me ajude a resolver um problema que considero grave. 
O marido, já um pouco preocupado perguntou: O que aconteceu? Notei você abatida! Fale! Resolveremos juntos, com a ajuda de Deus.
Enquanto você esteve ausente, um amigo nosso visitou-me e deixou duas jóias de valor incalculável, para que as guardasse. São jóias muito preciosas! Jamais vi algo tão belo! 
O problema é esse! Ele vem buscá-las e eu não estou disposta a devolvê-las, pois já me afeiçoei a elas. O que você me diz? 
Ora, mulher! Não estou entendendo o seu comportamento! Você nunca cultivou vaidades!… Por que isso agora? 
É que nunca havia visto jóias assim! São maravilhosas! 
Podem até ser, mas não lhe pertencem! Terá que devolvê-las. 
Mas eu não consigo aceitar a idéia de perdê-las! 
E o rabi respondeu com firmeza: Ninguém perde o que não possui. Retê-las equivaleria a roubo! 
Vamos devolvê-las, eu a ajudarei. Iremos juntos devolvê-las, hoje mesmo. 
Pois bem, meu querido, seja feita a sua vontade. O tesouro será devolvido. Na verdade isso já foi feito. As jóias preciosas eram nossos filhos. 
Deus os confiou à nossa guarda, e durante a sua viagem veio buscá-los. Eles se foram. 
O rabi compreendeu a mensagem. Abraçou a esposa, e juntos derramaram grossas lágrimas. Sem revolta nem desespero.
Os filhos são quais jóias preciosas que o Criador nos confia a fim de que os ajudemos a burilar-se.
Não percamos a oportunidade de auxiliá-los no cultivo das mais nobres virtudes. Assim, quando tivermos que devolvê-los a Deus, que possam estar ainda mais belos e mais valiosos.

Fonte: Decom-Lep e Texto extraído do capítulo Jóias Devolvidas do livro Quem Tem Medo da Morte?, de Richard Simonetti.

Publicado na Coluna da Liga Espírita Pelotense no dia 24 de Abril de 2011 – JORNAL DIÁRIO DA MANHÃ

 

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