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audiencia publica 1
Audiência pública

Tudo está interligado numa constante participação de matéria e espírito. A energia emanada é que foi determinando alterações. Como cadeia evolutiva, capacidade de autodeterminação, numa sensação de si próprio. Com a filogenia humana, seres inteligentes com potencialidade de criar. Evoluindo e pensando, responsáveis, individualidades que deixam de ser instinto para ser inteligência. Com a capacidade de reter informação, perspectiva de criar algo novo. Enquanto o pássaro mantém a mecânica do ninho, repetindo-a, dispomos do estado de humanidade. Porém, simplicidade e ignorância foram influenciadas por avatares, e surgiram rituais, xamanismo, mitologias e deuses. Coube ao maior avatar, Jesus, espírito de grandeza extraordinária, expressar “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. Abertura da palestra de Milton Barum – ex-presidente da Liga Espírita Pelotense (LEP) -, na audiência pública realizada sábado à tarde (19/10/13) na Câmara Municipal. Numa proposição do vereador Anderson Garcia (PTB), o evento homenageou os 66 anos da LEP. Plenário repleto e também as presenças dos vereadores Marcos Ferreira (PT), e Ademar Ornel (DEM). Marilu Brum, presidente da LEP, conduziu as orações no início e encerramento da audiência.

SERMÃO – Barum observou que a mensagem de Jesus, embora nada tenha escrito, foi repassada por doze “irmãos” analfabetos. Somente Mateus, arrecadador de impostos, teria alguma condição para registrar. De acordo com exegetas, o ensinamento cristão, presente na Bíblia, já sofreu mais de oitenta mil modificações. Na esteira, manifestam-se 470 seitas cristãs. A confusão tem sido tamanha que, somando-se os massacres dos maiores imperadores da história, montante não chega a 1/3 do que fizeram os cristãos. A exemplo, grandes guerras “cristãs”, templários, Cruzadas, Inquisição, e o extermínio de civilizações como os maias e astecas. Barum também mencionou Hitler e Stálin como cristãos. Como contraponto, o palestrante citou a Gandhi. O líder indiano foi convidado para ser cristão, mas recusou. No entanto, afirmou que, se fossem perdidas todas as bibliotecas, mas restasse o Sermão da Montanha, não se perderiam os ensinamentos sobre a vida. E Barum acrescentou que Mateus ainda teria mais a ensinar, porém não divulgou “já que os homens não entenderiam”.

 KARDEC – O palestrante dedicou-se a narrar sobre a trajetória do pedagogo Hippolyte Léon Denizard Rivail (1804/1869). Autor de livros para o ensino de crianças, também ensinava gratuitamente à noite. No século 19, diante dos inúmeros fenômenos que se manifestavam pelo mundo, como as “mesas girantes”, soube que numa encarnação anterior havia sido o sacerdote druida Allan Kardec. A designação foi sua opção para assinar os livros, pois considerava que as “obras” eram repassadas por espíritos. Em 1861, Bispo de Barcelona retirou os livros de Kardec na alfândega para depois queimá-los. O episódio ficou conhecido como “Auto de fé de Barcelona”. Barum também comentou abreviadamente, sobre os livros de Kardec: “Livro dos Espíritos”; “Livro dos Médiuns”; “O evangelho segundo o espiritismo”; “O céu e inferno”; “A gênese”. No epitáfio de Kardec, escrito por Flamarion: “Nascer, viver, morrer; renascer ainda e progredir sempre. Tal é a lei”.

Primeira escola espírita pode ter sido aqui

Na Faculdade de Educação (FaE/UFPel), ele está elaborando tese de doutorado. Seu tema é o espiritismo como pedagogia. A “reforma íntima” seria a perspectiva de auto-educação. Pesquisa que está sendo desenvolvida por Marcelo Gil. No sábado ele proferiu palestra no Legislativo, enfocando aspectos históricos do espiritismo em Pelotas e no Brasil. Como curiosidade, a possibilidade que Pelotas tenha sido pioneira na educação, com a primeira escola espírita do mundo. Conforme documentação, em janeiro de 1908, o Colégio União Espírita de Pelotas já contava com 84 alunos. Gil menciona que a escola mais antiga, identificada, remonta a 1907. Ele argumenta que, embora ainda não tenha sido localizada ata de fundação do colégio aqui, o fato de mencionar alunos em 1908, abre a possibilidade de que talvez tenha sido o educandário mais antigo.

HISTÓRIA – Outro pioneirismo refere-se ao aspecto unificador. A LEP foi criada em 1946, consolidando-se como representante das casas espíritas. Já a Federação Espírita Brasileira (FEB), que começou como centro e não órgão representativo, apenas em 1949 ampliaria sua atividade.

PELOTAS é destaque com elevado percentual de espíritas. Enquanto a média estadual, de acordo com o Censo, é de 2%, em Pelotas chega a 5,8%. Os tempos mudaram mas ainda há resquícios do “catolicismo” como religião oficial do Império – Art. V da Constituição de 1824. A exemplo, mencionou Gil, cidade no norte gaúcho que, embora tendo centro espírita e terreira, indicou 100% de católicos. Não se proclamar católico, impedia título acadêmico, votar e ser votado, bem como ascensão profissional. O palestrante destacou o cronista Alberto Coelho da Cunha que, ao fim do século 19 e primeiras décadas do século passado, narrou os diferentes ambientes de Pelotas. Ele escreveu sobre os centros espíritas da época. Num dos textos, em 1927, diz que a doutrina espírita havia chegado há exatos cinquenta anos, o que remete a 1877. Na cidade, deve-se a imigrantes, arquiteto e dentista espanhóis, bem como os homeopatas que viajavam pela região. Gil enfatizou a afinidade entre maçonaria e espiritismo, comparando que a “pedra bruta cujas arestas devem ser desbastadas” – defeitos e vícios – para os maçons, equivale à reforma íntima para os espíritas. Outro aspecto é que no Brasil em 1850, três anos antes da publicação do Livros dos Espíritos, já havia reportagens sobre as “mesas girantes”. 

Fonte: Reportagem e fotos por Carlos Cogoy – Jornalista e editor de cultura do Jornal Diário da Manhã.
Publicado no Jornal Diário da Manhã, coluna Cultura – em 22 de Outubro de 2013.

Veja fotos abaixo:

audiencia publica 1
Marilu Brum, vereadores Marcos Ferreira e Anderson Garcia e comunicador João Carlos Silva 

 

audiencia publica 4
Plenário repleto com representantes de quarenta casas espíritas de Pelotas

 

audiencia publica 3
Palestrante Milton Barum abordou sobre Allan Kardec

 

audiencia publica 2
Pesquisador Marcelo Gil abordou sobre o Movimento Espírita Pelotense

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